segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

SiCKO, SOS Saúde


O cineasta estadunidense Michael Moore é polêmico. Crítico inveterado da política e sociedade do seu país, costuma abordar temas que os governantes dos EUA preferem manter sob controle. Em "Sicko, SOS Saúde" (2007) - disponível na Netflix - Moore coloca o dedo em uma das piores feridas dos EUA, leia-se, o seu nefasto sistema de saúde, um dos mais injustos do mundo.

O cineasta expõe em mais de duas horas de relatos e casos os efeitos colaterais provocados por um sistema de saúde completamente privatizado, que trata os pacientes não como pessoas que procuram ajuda na medicina, mas sim como cifrões.

Cartel dos planos de Saúde

Todo estadunidense empregado é automaticamente ligado a um plano de saúde, o sistema público é totalmente sucateado, quase inexistente. "Graças" a esse aspecto, aliado às duras restrições para adesão a um plano de saúde (como existência de doenças pré-existentes, por exemplo), 50 milhões de cidadãos dos EUA não possuem qualquer tipo de cobertura. Se ficarem doentes se curam só, buscam outras alternativas ou simplesmente morrem. 

Mas a vida de quem tem plano de saúde não é mais fácil por ter esse "privilégio." Estar coberto não significa ter o problema de saúde resolvido quando se precisa. Em um mercado dominado por pouco mais de uma dezena de planos de saúde, criou-se uma verdadeira indústria da "não-autorização de tratamentos médicos", assim, pessoas com problemas graves como câncer têm os seus tratamentos negados deliberadamente ou parcialmente autorizados pelos planos, mesmo que isso custe a vida desses pacientes. Segundo relatos de ex-funcionários de grandes empresas de planos de saúde entrevistados por Moore, os planos tratam as autorizações de procedimentos como "prejuízo", dessa forma os diretores precisam cumprir uma "meta" percentual de solicitações não autorizadas. Criou-se até mesmo uma bonificação para os diretores que mais conseguiram "economizar" para a empresa de plano de saúde. Por economizar entenda-se: Negar o tratamento.

Comparações

Moore também faz um comparativo do sistema de saúde estadunidense com os sistemas britânico, francês, canadense e cubano, países com medicina de alta qualidade e universalizada. Para demonstrar o mar de desigualdade entre o sistema de saúde dos EUA e o de Cuba, Michael Moore chega a levar alguns cidadãos americanos doentes, sem cobertura ou negligenciados pelos seus palanos nos EUA, para serem tratados em Cuba. Na ilha de Fidel Castro os americanos receberam tratamento médico e dentário de qualidade e fizeram exames, tudo gratuito. Quando necessário compraram medicação com valores equivalentes a centavos de dólar. Todos saíram de Cuba satisfeitos e impressionados por ninguém ter perguntado se eles tinham convênio ou dinheiro para pagar o tratamento.

Moore chega a conclusão de que o estigma criado durante a guerra fria, da "medicina socializada" (ou comunista) ser ineficaz, caótica e "suja", serve de base argumentativa para o lobby dos planos de saúde reforçar esse modelo de saúde privatizada que só enxerga cifrões. A noção de que a medicina socializada é "ruim", ao contrário do que mostra SOS Saúde, também é constantemente reforçada na mídia estadunidense com críticas sempre presentes ao sistema canadense e francês. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Aileen Wuornos: Vida e morte de uma assassina em série


Quando conhecemos a história de algum assassino em série a tendência é condená-lo sumariamente, nunca pensamos nos fatos anteriores ao primeiro assassinato. É de fato um exercício difícil, mas  é exatamente o que o cineasta inglês Nick Broomfield fez em dois documentários que produziu sobre Aileen Carol Wuornos, considerada a primeira assassina em série dos Estados Unidos. Diferentemente do filme Monster, desejo assassino (2004), brilhantemente interpretado por Charlize Theron e que lhe rendeu o oscar de melhor atriz ao encarnar Aileen; os documentários "Aileen Wuornos: The Selling Of a Serial Killer" (1993) e "Aileen: Life and Death of a Serial Killer" (2003) fazem uma exploração detalhada da vida de Aileen Wuornos, da infância até os momentos que antecederam à sua execução por injeção letal. Os trabalhos de Nick Broomfield nos fazem refletir sobre o que se poderia esperar de alguém como Aileen, que teve uma vida marcada pela rejeição, abandono, abusos, prostituição e violência. O meu texto, baseia-se nos documentários já citados.  

Infância e adolescência

Aileen nasceu em 29 de fevereiro de 1956, de um parto pélvico complicado. Sua mãe biológica chegou a especular que o comportamento violento da filha seria resultado de sequelas ligadas ao parto. Os 9 meses em que esteve no útero da mãe foram os únicos momentos que passou com ela. A mãe biológica a abandonou logo depois. Criada pelo pai e por parentes, teve uma infância desregrada e aos 13 anos já estava grávida. Após ter a criança e doá-la para adoção, Aileen foi expulsa de casa e obrigada a viver em um bosque, onde dormia em carros abandonados no local. Foi nessa época que começou a se prostituir nas estradadas. Quando tinha a "sorte" de pegar um cliente "bom", ainda conseguia tomar um banho e dormir em uma cama, protegida do frio rigoroso do estado do Michigan, EUA.

Assassinatos em série

Na Flórida, onde morava, Aileen conheceu Tyra Moore, o grande amor da sua vida e talvez o único. Uma das hipóteses é que ela tenha começado a matar para sustentar o estilo de vida de bebedeiras e noitadas da namorada. Como a única fonte de renda do casal eram os programas de Aileen, ela precisou de uma "fonte de renda extra" e resolveu buscá-la no crime. O seu modus operandi era simples, ela se oferecia como prostituta nas estradas, levava os homens para um bosque ermo, lá chegando sacava a sua arma, atirava neles, roubava o dinheiro e os carros. Foi assim que Aileen assassinou 7 clientes até ser presa. 

Ao contrário da maioria dos assassinos em série, a motivação para os crimes não era o prazer de matar, pelo menos essa é a impressão que se tem nos depoimentos e entrevistas dela. A motivação maior seria realmente o dinheiro e a necessidade de satisfazer Tyra. No documentário "Aileen: Life and Death of a Serial Killer" (2003) ela chega a sugerir isso, inclusive.

Outra parte controversa da vida de crimes de Aileen é o envolvimento de Tyra. É de conhecimento público que ela sabia dos assassinatos e que nada fez para impedi-los, porém a sua participação direta nos crimes nunca pode ser comprovada.

Prisão, oportunismo, "justiça", loucura e morte

Depois de presa as coisas continuaram como sempre foram para Aileen. Foi abandonada por Tyra, a namorada, que além de depor contra ela tentou negociar os direitos de uma futura produção de Hollywood e para tanto uniu-se a policiais corruptos que queriam faturar com a história da primeira assassina em série dos EUA. Fragilizada, caiu nas garras de dois oportunistas, o seu advogado de defesa e uma mulher, que se dizia "cristã", comovida com a história de vida de Aileen e resolveu "adotá-la". Ambos, o advogado e a "mãe" de Aileen, começaram a cobrar para dar entrevistas e para facilitar o acesso à ela na prisão. A peça de defesa apresentada pelo advogado foi algo entre o bizarro e o amador. Em momento algum ele tentou, como é dever do defensor, tornar a pena mais branda (no caso, evitar a pena de morte), limitou-se a aconselhar sua cliente a se declarar culpada sob a alegação que era dela o desejo de morrer. Parece que o advogado ignorou deliberadamente o estado mental de sua cliente e os efeitos psicológicos sofridos por alguém no corredor da morte.

Um dia antes de ser executada Aileen Wurnos ainda concedeu uma última entrevista a Nick Broomfield. Durante a conversa ela mostrou-se visivelmente fora da realidade, falando coisas desconexas, completamente enlouquecida. É espantoso saber que um dia antes da entrevista ela foi avaliada por uma junta psiquiátrica que a considerou "psicologicamente apta". Se sua sanidade tivesse sido contestada a execução teria sido adiada. Se foi estratégia da defesa, nunca vamos saber, fato é que Aileen nunca demonstrou ter medo de morrer.

Não obstante os crimes que cometeu, os documentários de Nick Broomfield humanizam a assassina em série Aileen Wurnos, fazem uma autópsia de sua vida desgraçada, revelam os interesses financeiros e políticos por trás de qualquer caso que ganhe notoriedade e revelam uma justiça que não é muito diferente da brasileira, leia-se, uma justiça que existe para punir com rigor os desfavorecidos, e somente eles.

Ambos os dovumentários, Aileen Wuornos: The Selling Of a Serial Killer e Aileen: Life and Death of a Serial Killer, de Nick Broomfield, estão disponíveis na Netflix.

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Os crimes da rua do arvoredo



domingo, 20 de dezembro de 2015

Cowspiracy: O segredo da sustentabilidade


Quando se fala em aquecimento global e sustentabilidade logo pensamos em redução da queima de combustíveis fósseis, economia de água, diminuir o consumo e reciclagem do lixo, são os cânones do ambientalismo. Mas se você descobrisse que existe algo mais devastador do que tudo isso e que você participa ativamente desse processo através do simples ato de comer?

O documentário “Cowspiracy: O segredo da sustentabilidade”, do cineasta Kip Andersen, é corajoso, inquietante e provocador. Baseado em relatórios das nações unidas, Andersen descobriu que o maior vilão do aquecimento global, maior poluidor do planeta e maior destruidor do meio ambiente não são os combustíveis fósseis e sim a pecuária. E o mais intrigante é que esse dado é omitido por governos, políticos e também pelas ONGs ambientais como o greenpeace.

O cineasta passa a investigar o motivo dessa omissão e chega a conclusões alarmantes: O lobby da poderosa indústria das carnes e laticínios dificulta, através de ações “legais” e até mesmo uso da violência para barrar essa informação. As ONGs ambientais a omitem porque não querem perder financiadores, algo que acontece quando recomenda-se uma mudança de um hábito tão arraigado que é comer carne e laticínios.

O processo de degradação do meio ambiente pela pecuária é um ciclo. Os animais criados para corte e produção de laticínios precisam ser alimentados, para que isso aconteça é necessário terra para plantar grãos, quanto mais animais mais terras e mais terras significa mais florestas derrubadas. Mais animais também significa mais água para eles beberem e para irrigar os grãos que vão alimentá-los. Toneladas de grãos que poderiam alimentar milhares de pessoas estão alimentando animais para que produzam uma quantidade insignificante de carne. O mesmo ocorre com a água. Como se não bastasse isso, a flatulência dos animais e seus dejetos liberam grandes quantidades de metano, um dos gases responsáveis pelo efeito estufa e o aquecimento global. As fezes dos animais contaminam os oceanos criando áreas chamadas de “zonas mortas”.

A decisão de fazer o documentário afetou a vida do cineasta, ele teve o financiamento do filme cancelado, o patrocinador alegou que ele estava tratando de “assuntos controversos”. Andersen também viveu o medo de se tornar mais um alvo da indústria da carne e laticínios, por fim vira “vegano”, ou seja, deixa de consumir produtos de origem animal. Segundo os especialistas entrevistados pelo cineasta, o veganismo é a forma mais eficiente de preservar a natureza e o planeta. Como disse um dos entrevistados “Não existe ambientalista que come carne e laticínios”.

Um documentário que provoca grande reflexão e que mostra que uma simples mudança de hábito pode salvar o planeta, acabar com a crueldade e fazer com que nós, humanos, tenhamos uma vida mais ética e respeitosa para com as outras espécies que habitam a terra. 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Viagem à palestina: Prisão a céu aberto (Resenha)


Se eu tivesse que definir o livro “Viagem à palestina: Prisão a céu aberto”, da jornalista Adriana Mabilia, em uma palavra eu o definiria como “indispensável”. Em uma linguagem inteligível e didática portanto, Mabilia consegue explicar aspectos fundamentais para a compreensão do drama, sofrimento, abandono e humilhação a que o povo palestino é submetido por Israel e o seu violento exército.

A obra é um relato da viagem que a autora fez à Palestina, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, período em que Israel promoveu mais um massacre à Faixa de Gaza. Ao meu ver o que enriquece esse livro-reportagem é exatamente a desobediência da jornalista a alguns preceitos clássicos da atividade, como por exemplo, limitar-se a narrar os fatos, sem interferência das emoções para que os relatos se aproximem ao máximo da "realidade". Mabilia questiona se ignorar as emoções também não é uma forma de falsear a realidade e assim faz da emoção a sua aliada. A jornalista  mergulha, tal qual uma etnógrafa, na difícil rotina do povo palestino, conversando com homens e mulheres palestinas que contam suas histórias de sofrimento e violência, anda pelos territórios ocupados como se fosse árabe, acompanha protestos, entrevista políticos palestinos, diretores de ONGS, ativistas e cidadãos israelenses.

Dentre os inúmeros aspectos que me chamaram a atenção no livro, destaco alguns de suma importância, como a noção distorcida de que o povo palestino é violento; absolutamente, como bem frisou uma italiana observadora de uma ONG: "A Europa não tem ideia do que acontece por aqui, a informação que chega para nós é totalmente distorcida. O povo palestino tem todos os motivos do mundo para ser revoltado e violento. Mas consegue manter a calma. É um povo pacífico". Posteriormente, para falar nos homens e mulheres-bomba, a jornalista observa que a imprensa Ocidental só mostra "da explosão em diante" e despreza todos os fatos que criaram o (a) suicida.

Jornalista Adriana Mabilia, autora do livro

Adriana Mabilia também descreve a angústia que é se deslocar pelos territórios ocupados e ser constantemente submetida às revistas nos "checkpoints", as barreiras que Israel cria dentro dos territórios ocupados com a justificativa de "conter o terrorismo", mas que na prática servem mesmo para atrapalhar a vida dos palestinos. São locais perigosos, como disse um motorista palestino: "Os soldados são treinados para matar árabes". Histórias de violência, desrespeito aos direitos humanos, barbáries cometidas pelo exército e os colonos judeus, roubo de terras, etc...são as histórias de todos os palestinos, sem exceção.

Sociedade militarizada e paranoica

Israel também paga um preço alto pelos crimes que comete...

Diz Adriana Mabilia: "Em Israel a energia é bélica, o clima é hostil, vive-se pronto para a guerra[...]; são pessoas que só enxergam inimigos. São pessoas que alimentam uma paranoia". Foi exatamente essa a impressão da jornalista ao se locomover dentro de Israel. O conforto, o trasporte público de qualidade e a aparente tranquilidade não disfarçam o clima de iminente ataque terrorista. Como consequência criou-se uma sociedade extremamente militarizada, paranóica e que vive da guerra. Muitos cidadãos Israelenses entram no exército muito jovens, com 17 anos, fazem carreira no exército ou vão para a área de segurança privada, ou ainda fazem carreira política colhendo os louros do status de ex-combatentes ou "heróis de guerra".

Coaduna com um ditado, cujo autor não me recordo: "A maioria dos países do mundo têm um exército, em Israel o exército tem um país". É por aí.

“Viagem à palestina: Prisão a céu aberto” é um livro fascinante, uma aula de bom jornalismo, uma obra indispensável para sair da caverna do senso comum e entender melhor a causa palestina.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

The Wachowski brothers e a Netflix.


Com o trabalho na primeira temporada da série "Sense 8", seriado produzido pela Netflix, os irmãos Andy e Lana Wachowski (da trilhogia Matrix) mostraram que estão entre os melhores diretores da atualidade. 


Na série os cineastas tiveram liberdade para exercer a sua criatividade peculiar da dupla e inovar. "Sense 8" é uma espécie de "laboratório", algo próximo do cinema experimental, só que com bastante dinheiro.

A primeira temporada da série traz movimentos de câmera inovadores, que substituem efeitos especiais; cenas gravadas durante grandes eventos como a parada gay de São Francisco, nos EUA, e a "procissão" do deus hindu Ganesha na Índia, sem alterar a dinâmica dos eventos, deram mais realismo às situações vividas pelos personagens. Contribuiu também para o realismo a utilização de atores nativos.

A dupla Wachowski também deu preferência às locações originais, sem a utilização de cenários. Os personagens se deslocam por Seul, Bobaim, Berlim, Chicago, Nairobi, Londres e Islândia, em cenas  gravadas nos espaços públicos que aproveitam a dinâmica humana das cidades e a atmosfera de cada país. A edição de "Sense 8" também está a altura para acompanhar toda essa experimentação e isso sem entrar no mérito do roteiro que prende o telespectador pela originalidade.

"Sense 8" é mais que um seriado, é uma pequena revolução, uma prova de como a liberdade proporcionada pelas produções feitas para esse novo suporte de mídia(internet) pode conceber obras democráticas e revolucionárias.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Buenos Aires

Plaza De La Republica, Buenos Aires
Sempre tive muita vontade de conhecer Buenos Aires, a “Paris” da América do Sul, com sua arquitetura opulenta, sua cultura e todos aqueles encantos que me chegavam através de relatos e leituras. Quando finalmente tive a oportunidade de conhecer a cidade as minhas expectativas não só foram correspondidas como também superadas. A capital portenha é de fato uma cidade que vale a pena ser visitada.

Este texto pode servir de referência mas não como guia. A única observação que faço é que não vale a pena ficar preso a roteiros prontos, defina quais são os seus interesses e faça você mesmo o seu roteiro. Esqueça bobagens como “Quem não for a um show de tango em Buenos Aires, não foi à Buenos Aires”. O meu foco, por exemplo, era a arquitetura da cidade e a sociedade portenha, logo, não fui a nenhum show de tango apesar das muitas ofertas. Segue então um pouco da minha passagem por Buenos Aires.

Agência de Viagem.

Todos acham que podem viajar a um custo menor sem a intermediação de uma agência de viagem, eu discordo completamente. Pode-se até conseguir passagens mais baratas, mas é só isso. A experiência de uma agência pode ser bem mais vantajosa do que a economia de alguns “caraminguás”. Contratei um pacote com passagens aéreas, transfer e hospedagem e dispensei aqueles passeios guiados(aquilo é um saco) e isso foi fundamental pois a agência me colocou em um hotel tão bem localizado que conheci a maioria dos principais pontos turísticos de Buenos Aires a pé. Levando-se em consideração que taxi por lá já não é tão barato, isso fez toda a diferença.

Fiquei no Gran Hotel Orly, no boêmio bairro do retiro, o prédio, como a maioria das construções em BsAs, é antigo, a mobília também é bem velhinha, mas no geral o hotel é confortável, a higiene é satisfatória,  tem serviço wi-fi gratuito e os funcionários são atenciosos. O café da manhã é repetitivo, mas farto. A localização é espetacular, perto de tudo o que eu planejei conhecer.

Gran Hotel Orly: Ótima localização

O hotel fica literalmente ao lado da Rua Florida, uma das principais ruas de BsAs. São 10 quarteirões de lojas onde você encontra de tudo: Restaurantes, lojas de artigos de couro, lojinhas de souvenires e agências de turismo que vendem principalmente passeios pela cidade e shows de tango. Foi em uma dessas agências, e por indicação de brasileiros que estavam hospedados no mesmo hotel, que eu fiz o "câmbio", ou seja, troquei reais por pesos argentinos. Não faça o câmbio no aeroporto, é uma roubada. A cotação na época em que fui pra lá era de 3,25 pesos para cada real no aeroporto, na rua florida 1 real valia 4 pesos. O cuidado que se deve ter é evitar os cambistas soltos, prefira os locais fixos e por indicação.

Obelisco de Buenos Aires
Na avenida 9 de julho podemos encontrar o famoso Obelisco, um dos principais ícones da capital portenha, tem 67 metros de altura e é um monumento histórico nacional. Está localizado na Praça da República. Vale a foto.

Teatro Cólon
Ainda na 9 de julho uma das construções mais bonitas que tive a oportunidade de visualizar, o teatro Cólon, considerado um dos mais belos do mundo. Por ter uma acústica perfeita está entre os 5 melhores teatros de ópera do mundo, sendo comparado com o La Scala de Milán, Wiener Staatsoper, Ópera Semper de Dresde e Ópera de Paris, não é pouca coisa. A estrutura pode assustar mas assistir a uma peça no Cólon não é caro, os amantes da ópera podem usufruir de toda essa beleza e qualidade por apenas 100 pesos, ou 25,00.

La Bombonera

Um pouco mais distante do bairro do retiro, no tradicional bairro "La Boca", está o lendário estádio de futebol "La Bombonera", lar de um dos clubes de futebol mais vitoriosos do mundo, o Boca Júniors. Entrar na área das arquibancadas custa 80 pesos, cerca de 20 reais. Com isso pode-se também visitar o museu do Boca. Para essa visita contratamos um passeio. Embora eu não goste muito foi necessário por uma questão de logística, pois queríamos visitar a cidade de Tigre e ir pra lá de forma independente tomaria muito tempo. O passeio custou 500 pesos, cerca de 125 reais, com direito a navegar pelo rio tigre a bordo de um catamarã. Uma pechincha. O bom desse passeio foi que pudemos ter uma noção da cidade e revisitar alguns locais no dia seguinte.

El Caminito
Ainda no tradicional bairro "La Boca", na rua "Caminito", as réplicas dos chamados "conventillos" (cortiço para nós), principais moradias dos imigrantes que chegavam em BsAs a partir do início do século XX. Sinceramente achei esse lugar super chato, pouco atrativo e muito comercial. Fazia parte do roteiro do passeio, mas não faria falta.

Passeio pelo Delta del Tigre no Catamarã
Belas propriedades às margens do rio Tigre

Município de Tigre
Localizado a cerca de 33 km de Buenos Aires tem como uma das atrações principais suas ilhas e rios que fazem parte do Delta Del Tigre. Lá é possível passear de Catamarã e apreciar as belas propriedades e a beleza natural da região. Vale muito a pena.

Casa Rosada

Interior da Casa Rosada

Interior da Casa Rosada

Interior da Casa Rosada
O domingo é um dos dias mais proveitosos em Buenos Aires. Esse dia é o melhor para se conhecer a Casa Rosada, sede do poder executivo da Argentina, que fica em frente a Plaza de Mayo. O domingo é indicado por que é o dia onde se pode fazer uma visita guiada pelo interior da Casa. O passeio é totalmente gratuito e o visitante pode conhecer até mesmo o gabinete onde trabalha a atual presidenta da Argentina, Cristina Fernandes de Kirchner. Logo após a visita, bem ao lado, tem a tradicional Feira de San Telmo onde se pode comprar lembrancinhas, antiguidades, artesanatos, comidas da região, livros, etc. Há também nos 18 quarteirões da feira bares e cafés onde o visitante pode sentar e relaxar aproveitando o ar do charmoso bairro de San Telmo. Por volta das 17h tem a cerimônia da troca de guarda da Casa Rosada, cerimônia que acontece uma vez por semana. É uma oportunidade única. Portanto fica a dica, reserve o domingo para conhecer a Casa Rosada, a feirinha de San Telmo, a Catedral Metropolitana de Buenos Aires e acompanhar a troca de guarda.

Cerimônia de troca de guarda da Casa Rosada

Cerimônia de troca de guarda da Casa Rosada

Cerimônia de troca de guarda da Casa Rosada

Ainda ao lado da Plaza de Mayo, outro ponto turístico da capital argentina, a Catedral Metropolitana de Buenos Aires. Era nesse maravilhoso prédio que o então cardeal Jorge Mario Bergoglio (hoje Papa Francisco) celebrava as suas missas dominicais.

Catedral Metropolitana de Buenos Aires

Interior da Catedral Metropolitana de Buenos Aires
No elegante bairro da Recoleta quem visita Buenos Aires pode encontrar várias atrações turísticas.O cemitério da Recoleta, por exemplo, é morada final de importantes membros da história argentina, dentre os quais destaco o mais famoso de todos, Maria Eva Duarte Perón, a "Evita" e o ex-presidente da Argentina Raúl Ricardo Alfonsín. Além disso, o cemitério da Recoleta é uma obra de arte arquitetônica a céu aberto.

Cemitério da Recoleta
Mausoléu da Família Duarte, onde está sepultada Evita Perón
Ainda na Recoleta, bem próximo ao cemitério, visitei a "Floralis Generica", uma escultura que representa todas as flores do mundo. Foi projetada para acompanhar o movimento do sol e se fechar quando o astro rei se põe, porém com pouco tempo de uso o mecanismo se quebrou. Agora, depois de 7 anos, o sistema está sendo reparado, a foto que tirei junto a "floralis" é emblemática por isso, eu estava lá nesse momento sui generis.
Monumento "Floralis Generica"

Floralis em reparo
Aproveitei que estava no bairro da recoleta e fui conhecer o prédio da faculdade de direito de Buenos Aires, vale a foto pela imponência do prédio e riqueza arquitetônica.

Faculdade de Direito da universidade de Buenos Aires
No penúltimo dia em Buenos fui ver de perto um prédio de grande importância cultural e arquitetônica para a cidade: O "Congreso de la Nación Argentina", sede do poder legislativo, o equivalente ao nosso congresso nacional. Posteriormente, e bem próximo ao congresso, fui visitar o misterioso Palácio Barolo. O Barolo foi construído no início do século XX e é um edifício emblemático da cidade, já foi o prédio mais alto da América do Sul. Foi concebido pelo arquiteto Mario Palanti, o mesmo que projetou o lendário Palácio Salvo em Montevidéu. Encomendado pelo empresário Luigi Barolo, fã da obra "A divina comedia" de Dante Alighieri, é inspirado no clássico que retrata uma viagem imaginária de Dante ao inferno, purgatório e céu. Assim o Barolo é dividido em três partes: o térreo representa o inferno, os 14 andares intermediários representam o purgatório, por fim, a parte mais estreita que representa o paraíso. No alto da torre há um farol de luz que representa Deus. 

O prédio tem 100 metros de altura, o mesmo número de cantos da Divina Comédia e 22 pisos, cada um contendo 22 escritórios, mesmo número de estrofes dos versos da obra. O prédio foi inaugurado no dia 7 de junho, aniversário de Dante e, segundo consta, Barolo sonhava em levar as cinzas do poeta para Buenos Aires e colocá-las no edifício. Claro que isso não aconteceu. 

O misterioso Palácio Barolo

Palácio Barolo
É claro que Buenos Aires não é só isso, eu mesmo visitei outros lugares e fiz outras coisas, porém o texto serve como referencial, principalmente para quem gosta de arquitetura e história como eu. O que posso acrescentar além disso? Vamos lá: 

Comer em Buenos Aires é muito barato, beber cerveja nem tanto. Os argentinos adoram os "combos" que incluem uma entrada, um prato principal, uma bebida e uma sobremesa. As porções são bem servidas e custam em média 100 pesos (cerca de 25,00). A cerveja, infelizmente é cara. A Quilmes, cerveja mais consumida na Argentina, custa 20 pesos (5,00) a latinha de 350ml, 30 a 35 pesos a long neck (7,50 em média) e 60 pesos (15,00) a garrafa com 1 litro. Não sai barato, bom mesmo é beber com moderação na Argentina.

Contrariando todos os estereótipos possíveis, achei os argentinos solícitos e extremamente educados, sempre dispostos a ajudar. Quando pedíamos alguma informação nas ruas paravam dois ou três portenhos para tentar nos socorrer.

Em termos de segurança achei Buenos Aires bastante satisfatória, em momento algum me senti ameaçado ou em perigo na capital portenha, e isso porque andei pelas ruas durante o dia, à noite e também de madrugada. As pessoas vivem despreocupadas, atendem seus celulares, as mulheres andam com bolsas, turistas ostentam suas câmeras fotográficas, jóias, etc. Não há aquele clima de medo e tensão quando se sai às ruas. Claro que em lugar nenhum do mundo hoje em dia você pode se descuidar, mas Buenos Aires é bem tranquila em comparação com o Brasil.

Por último, e não menos importante, não deixe de visitar o elegante bairro de Palermo, é como estar na Europa, só que em plena América do Sul.

Quando você vai embora de Buenos Aires fica sempre com aquele gostinho de "quero mais", então é hora de começar a planejar uma data para retornar à capital da Argentina. Vou fazer isso, afinal, seria injusto terminar os meus dias sem rever essa cidade fantástica.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Diário De Um Jornalista Bêbado - Dica de Filme.



Título Original: The Rum Diary.
Gênero: Drama.
Direção: Bruce Robinson.
Elenco: Johnny Depp, Aaron Eckhart, Giovanni Ribisi, Amber Heard.

O filme "Diário de um Jornalista Bêbado" (2011) não tem nada de extraordinário, mas traz à tona aspectos políticos e jornalísticos que o tornam interessante. A história se passa na Ilha caribenha de Porto Rico, em 1960, para onde se muda o aspirante a escritor e jornalista de Nova Iorque Paul Kemp (Johnny Depp) contratado por um jornal decadente. Alcoólatra, Kemp vê no novo emprego uma oportunidade para levar uma vida sem compromisso com a profissão e dedicada ao vício.

Em suas andanças por San Juan, capital de Porto Rico, o jornalista percebe o contraste entre a vida de miséria dos nativos e a ostentação e boa vida dos estrangeiros que formam a elite portoriquenha (empresários, banqueiros, especuladores imobiliários, etc.). 

Jornalismo, poder e construção da realidade.

No filme, ao mesmo tempo em que o editor do diário veta as matérias de Kemp que denunciam a realidade do país, porque vão contra os interesses de anunciantes, ele é cooptado por um inescrupuloso empresário (Aaron Eckhart) que quer usar o seu texto para defender os seus projetos econômicos. A trama do filme gira em torno desse dilema ético pelo qual Kemp se vê atormentado. As cenas que mostram os diálogos entre Kemp e o seu editor, o empresário inescrupuloso e os grupos econômicos que atuam em Porto Rico, ilustram de forma bem didática a relação de proximidade entre o jornalismo e o poder econômico, bem como a utopia da objetividade jornalística tão reivindicada pelos profissionais da imprensa. 

Aspectos políticos

Para mim é o que de melhor existe no filme.  “Diário de um Jornalista Bêbado” está inserido em um contexto geopolítico que reúne o auge da guerra fria e o primeiro ano da revolução cubana, isso proporciona ao espectador mais atento fazer um comparativo entre as duas ilhas caribenhas - Cuba e Porto Rico - na questão política. É possível ter uma noção, através da Porto Rico retratada no filme, do que  era Cuba antes da revolução de 1959. A exemplo de Porto Rico Cuba não passava de um estado-balneário dos EUA projetado para a diversão de ricaços estadunidenses, com uma infraestrutura voltada para a especulação imobiliária e um sistema financeiro bem ao estilo "paraíso fiscal."

Na Porto Rico do Filme(e na Cuba de Fulgencio Batista) o desenvolvimento chegava através de hotéis luxuosos à beira do mar do Caribe, cassinos, carros de luxo, barcos e outras benesses do capitalismo que nunca alcançavam o povo que continuava a viver na miséria absoluta e na humilhação. Esses aspectos são bem retratados no filme graças às andanças de Kemp, que transita entre as duas realidades. Em uma cena o empresário inescrupuloso expulsa um grupo de nativos que estava em sua paradisíaca “praia particular”. Em um outro momento, em um dos seus passeio pela ilha, Paul Kemp passa por uma vila miserável e registra com sua câmera fotográfica uma criança vivendo em um carro abandonado.

O filme

O pano de fundo é composto por amenidades típicas do cinema americano: Romance entre Kemp e a deslumbrante namorada do empresário (Amber Heard), a vida boêmia dos jornalistas regada a muito rum nas noites de San Juan, belas locações das praias da capital porto-riquenha e autosuperação do personagem decadente.

Johnny Depp é um ator excepcional e não decepciona mas o trabalho do coadjuvante Giovanni Ribisi, na pele do atormentado e autodestrutivo “Moburk”, não fica atrás. A produção é competente na tarefa de recriar a San Juan dos anos 60 e as estratégias vão de locações noturnas e tomadas fechadas a cenas em locais ermos.

A dramaturgia é aspecto secundário em “Diário de um Jornalista Bêbado”, é um filme que pode ser melhor aproveitado em uma aula de jornalismo, história, sociologia ou ciências políticas.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Bicicletada: Mossoró-RN / Juazeiro do Norte-CE, 420 km de pedal.


Depois de meses de planejamento e treinos, finalmente fizemos - eu e mais 13 trilheiros - a nossa viagem de bicicleta de Mossoró(RN) até Juazeiro do Norte(CE). Foi a maior viagem desde que eu entrei para os Trilheiros com 420 km percorridos por 3 estados (RN, PB e CE). 

Trilheiros na saída para a viagem
Como costumamos pedalar somente à noite para evitar o calor, diminuir o desgaste e melhorar o desempenho, a viagem se deu em duas etapas: Saímos de Mossoró às 16h do dia 14/11, pedalamos durante toda a noite e chegamos na manhã do dia seguinte(15) à cidade de São João do Rio do Peixe(PB), por volta das 06h. Lá chegando nos hospedamos em um hotel chamado Brejo das Freiras” para descansar durante o dia. O lugar oferece banhos quentes com águas termominerais, piscina, almoço, jantar, quartos com ar condicionado para quem precisa dormir de dia e café da manhã, o que no nosso caso era indispensável depois de uma noite inteira pedalando. O Brejo das Freiras é um pouco mal cuidado mas é bonito, não é caro e principalmente nos deu aquilo que precisávamos. Deixamos o hotel às 19h do mesmo dia, seguimos viagem e chegarmos em Juazeiro do Norte às 09h do dia 16/11.

Trilheiros saindo de Mossoró e pegando a estrada
Viagens assim são extremamente difíceis e não só pela distância. No caso de Juazeiro por exemplo, o trecho possui subidas surreais como as da “serra de barros” o que demanda um grande esforço para vencê-las; os acostamentos muitas vezes não existem ou são acidentados e possuem armadilhas como pedaços de pneus, pedras e madeira que podem derrubar o ciclista; a sensação de fragilidade e exposição estão sempre presentes quando veículos pesados e de passeio passam por nós a velocidades incríveis; como se não bastasse em trechos remotos há sempre o risco de sermos abordados por bandidos; por fim, o corpo é levado ao seu limite e cobra o preço de tamanho desgaste nos dias posteriores.

As viagens de longa distância geralmente acontecem à noite e atravessam a madrugada
Não raramente sou questionado sobre o que me move e por que fazer viagens longas e arriscadas de bicicleta? Não há uma explicação racional para isso, somos movidos pela paixão, gostamos do cicloturismo, da adrenalina, de superar desafios e testar os limites do corpo. O objetivo é chegar a lugares de uma forma como quase ninguém chega. Quando alcançamos um destino, ele parece bem mais interessante e tudo é valorizado pelo esforço que empreendemos para alcançá-lo.

A estátua do Padre Cícero é a maior atração turística de Juazeiro do Norte

No caso da viagem para Juazeiro o grande objetivo, o nosso "troféu", foi a visita à estátua do Padre Cícero Romão Batista.

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Varginha-MG a Roswell tupiniquim.

Nave do ET: Monumento mais popular de Varginha e cartão postal da cidade.

Na primeira vez em que ouvi falar em Varginha, no ano de 1996, nunca imaginei que teria a oportunidade de conhecer a cidade mineira que ganhou projeção nacional a partir da suposta aparição de um extraterrestre por lá. Mas a oportunidade surgiu neste ano de 2014: um primo estava de casamento marcado e a noiva era de Varginha. Fui convidado para a cerimônia, arrumei as malas e fui bater na terra dos ETs.

Varginha me surpreendeu. É uma cidade que fica no Sul das Minas Gerais cuja economia gira em torno do café, tem cerca de 150 mil habitantes e é muito desenvolvida. É uma cidade pequena com jeito de cidade grande. Estar no centro de varginha é como estar no centro de uma grande cidade e o visitante dispõe de agências bancárias, cantinas, bares, lojas, restaurantes, prédios comerciais e toda a infraestrutura de uma capital. Como consegui apurar através de conversas com moradores, Varginha ainda está na "infância da violência" e apesar do crack já ter chegado por lá, a maioria das ocorrências ainda são de baixo potencial ofensivo. É uma cidade tranquila.

Roswell à mineira

Antes de explorar a cidade quis saber mais a respeito do acontecimento que projetou a cidade nacionalmente. Não fui pesquisar na internet e também não me ative a informações registradas na imprensa, nada melhor do que o relato de um morador. Contratamos um taxista para nos guiar pela cidade e comecei a especular sobre a história. Para a minha sorte ele gostava de conversar e eu comecei a provocá-lo. Ele sabia a história completa e me detalhou tudo. Segundo o Sr. O...em 1996 umas meninas do Jardim Andere, bairro de Varginha que tem uma reserva florestal, estavam brincando na mata quando deram de cara com uma criatura esquisita. Segundo descreveram a criatura tinha a pela marrom e oleosa, era pequena, tinha grandes olhos vermelhos e boca pequena. As meninas perceberam que ela estava ferida e chamaram a polícia. A polícia, por sua vez, não soube lidar com a situação e chamou o corpo de bombeiros. 

Ninguém teve coragem de ter contato com o ET e avisaram ao exército, porém, um oficial dos bombeiros resolveu pegar o bicho e o levá-lo para um hospital local. Dois dias depois de ter tido contato com a criatura, o oficial morreu de uma infecção generalizada. Muitos acreditam que a sua morte tem relação com o contato com o ET. Quando o exército chegou, isolou tudo e desapareceu com o ET. Segundo Sr. O...ninguém sabe para onde o exército o levou.

Embora tudo pareça muito fantasioso a história é levada a sério. Quando eu disse que era jornalista e que relataria a minha experiência em Varginha no meu blog, a expressão do taxista mudou rapidamente. De risonho ele passou para um semblante preocupado e pediu para que eu não citasse o nome dele no relato. Segundo ele, todos os envolvidos diretos no episódio do ET, são pressionados pelo exército para que permaneçam calados. O exército, por sua vez, sempre negou a história do ET de Varginha.. Resolvi preservar a identidade do motorista. 

Como chegar: O aeroporto de Varginha não recebe voos regulares, logo, chegar à cidade pelo ar é muito caro e não compensa. Pegamos um voo de Fortaleza(CE) para Guarulhos(SP), chegando lá pegamos uma van previamente fretada que nos ajudou a percorrer os 320 km restantes até o nosso destino. É uma viagem longa, porém, as paisagens são muito bonitas o que ajuda a passar o tempo. 

Onde ficar: A cidade tem vários hotéis, não conheço todos obviamente, mas posso recomendar o que me hospedei, o Class Hotel, um lugar simpático, confortável, com funcionários atenciosos e educados, silencioso e café da manhã excelente. São várias opções de acomodações com diárias condizentes com o mercado, o custo benefício é ótimo e gostei muito da estadia. Destaque para a máquina de café que fica à disposição dos hóspedes e que mói os grãos na hora (acho que o que tomei de café já pagou a estadia).

Passei pouco tempo em Varginha, mas visitei os principais pontos turísticos a pé(o que gosto de fazer), visitei uma fazenda de café com casarão belíssimo que tem cerca de 200 anos, fui duas noites seguidas a um restaurante muito bom, como há muito tempo não frequentava e claro, fui à cerimônia de casamento para a qual fui convidado e à recepção em um salão de eventos de Varginha. O tempo estava frio, cerca de 10ºC, o que tornou a minha passagem pela cidade mais agradável.

Nave do ET: É o ponto mais conhecido da cidade mineira de Varginha e fica no centro(foto do início do artigo). O monumento nada mais é do que uma caixa d'água construída pela empresa de distribuição de água de Minas Gerais. Durante a noite ela fica toda iluminada dando a impressão de ser realmente um OVNI. Por ser um monumento muito singular, vale a pena visitá-lo. Logo abaixo da nave é possível encontrar um simpático ETzinho, outro monumento bastante fotografado da cidade de Varginha.

ETzinho que fica embaixo da nave: Simpático.

Praças dos ETs: No mesmo perímetro é possível encontrar várias estátuas de ETs nas praças do centro de Varginha. Essas estátuas foram construídas com base na descrição das testemunhas que viram o suposto ET que apareceu na cidade.



Zona Rural / Fazendas de café: Visitei também a zona rural de Varginha, importante polo produtor de café do Brasil. O café ainda é a locomotiva da economia da região. A paisagem é incomparável.

Ao fundo uma plantação de café


Sede da fazenda Bananal em Varginha-MG. A casa tem mais de 200 anos e é mantida "original" pelo proprietário. Ela está do mesmo jeito da época em que foi construída, não obstante os efeitos do tempo. Entrar na casa é como viajar no tempo. Apesar do nome "Bananal" a fazenda só produz café. De lá sai café tipo exportação de qualidade incomparável que é enviado para a Europa e EUA.


Ao lado do Sr. Luís, proprietário da fazenda "Bananal", gostei muito de conhecê-lo. Homem de poucas palavras mas muito gente fina. Grande produtor de café e sabe tudo sobre a bebida. Aprendi muito sobre café com ele que me disse a respeito do produto vendido em supermercado: "Infelizmente o brasileiro não sabe o que é café bom e se acostumou a tomar porcaria".


RELÍQUIAS - Encontrei dois exemplares originais da primeira geração de telefones. Fazem parte da mobília da sede da fazenda Bananal...


...juntamente com esse relógio de 164 anos que ainda funciona perfeitamente. Segundo o Sr. Luís ele chegou à fazenda Bananal em 1850 e foi importado da França pelos antigos donos nos tempos áureos do café.

Terreiro de seca de café

"Café é seco em terreno de barro, em terreno pavimentado com manta asfáltica, pavimentado com concreto e também suspenso. Cada processo dá um sabor diferente ao café", explica Sr. Luís. No caso da fazenda Bananal o processo de secagem é "seca de café em terreno pavimentado com concreto", fala-se "séca". Dessa seca aí saem 3 tipos de café, inclusive o tipo exportação, de qualidade nobre e que tive o prazer de experimentar na fazenda.

Restaurante: É a mesma situação do hotel, não conheço todos os restaurantes e bares de Varginha, mas indico sem medo o Braseado (Fanpage), um lugar super agradável. Eu passei 3 noites em Varginha, sendo duas delas no Braseado, só para se ter uma ideia de como gostei do lugar. O restaurante é ótimo. Tudo muito agradável, comida boa, atendimento de primeira e ainda tem uma história curiosa e emocionante sobre o lugar.

Quando fui ao banheiro notei na parede umas fotos de uma cadelinha em vários momentos no espaço do restaurante. Curioso, perguntei à maître do que se tratava. Ela me explicou que quando o restaurante estava sendo montado apareceu por lá uma cadelinha vira-lata que passou a acompanhar as obras diariamente. O dono do local acabou se afeiçoando à simpática cachorrinha e a adotou. A ela foi dado o nome de "boneca", que está viva e é muito amada e bem cuidada pela família que a acolheu.

 Braseado Restaurante Brasileiro
 Braseado Restaurante Brasileiro

 Braseado Restaurante Brasileiro

 Braseado Restaurante Brasileiro
  
Visitar varginha foi muito gratificante. Trouxe um pouco da cidade comigo e deixei um pouco de mim por lá, é por isso que, como escreveu Mario Quintana, "Viajar é mudar a roupa da alma."  

Fotos: Allan Erick.