quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sobre o aborto


A hastag #legalizaroaborto esteve durante todo o dia de ontem (28) nos trend topics do Twitter. Ocorre que debater um assunto tão complexo em 140 caracteres é uma tarefa inglória, eu até tentei argumentar com um usuário da rede de microblogs, eu que sou contra o aborto tentei explicar as razões desse posicionamento a um usuário que se dizia a favor da legalização do aborto. Tudo isso me inspirou a escrever este artigo.

As alas progressistas são militantes da legalização do aborto, para elas, a descriminalização é condizente com os paradigmas da democracia, principalmente liberdade e igualdade. Na ótica dos que são a favor do aborto a mulher tem o poder sobre o próprio corpo, tem a liberdade de decidir se quer ter ou não um filho. Estou há anos luz de distância daquilo que é considerado "conservador" e "moralista" e não sou contra o aborto por questões ideológicas, religiosas ou por que zelo pela moral e os "bons costumes", a questão transcende tudo isso. Aborto não tem a ver com opinião, religião ou política, aborto é uma questão de ética.

O filósofo da ética Peter Singer (que é a favor do aborto), simplificou o "imperativo categórico" de Immanuel Kant em sua obra "Ética Prática" a um nível bem mais inteligível e que, ao meu ver, depõe contra suas próprias convicções em relação ao tema. Para Singer ( e Kant ), a ética é o eterno exercício da "igual consideração de interesses", isso significa que uma decisão ética precisa levar em consideração os interesses de todos os envolvidos.

Reside aí a maior falha do argumento pró-aborto de que a mulher tem o direito de fazer o que quer com o próprio corpo, de fato qualquer mulher tem poder sobre ele, acontece que, quando uma mulher usa o aborto como método contraceptivo, ela não está só agredindo o próprio corpo, ela está desconsiderando unilateralmente os interesses da criança. Afinal a criança teria interesse em morrer?

O debate de que o zigoto é ou não uma vida, não é relevante. O que deve ser levado em consideração é que esse zigoto reúne todas as condições para se converter em uma vida, isso se o seu desenvolvimento natural não for interrompido por um aborto.

Para mim, a "igual consideração de interesses" é um argumento fortíssimo contra o aborto. Claro que a ética pode se desdobrar em muitos outros argumentos e conceitos que podem ser usados pró e contra o aborto, no meu caso, a "igual consideração de interesses" é um argumento suficiente, na medida em que uma mulher que opta por fazer um aborto considera somente os seus interesse e desconsidera os interesses da criança, que "por acaso" vai morrer.

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