quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sergei Eisenstein, um gênio de fato

Eisenstein inovou a 7ª arte com o seu cinema experimental

Em se tratando da chamada "7ª arte", e se tomarmos como referência o cineasta Russo Sergei Eisenstein, a galeria de gênios do cinema é diminuta. No âmbito do cinema moderno ouve-se falar de Spilberg, George Lucas, Cameron, Tarantino, etc. Os desbravadores daquela então nova linguagem (o cinema), quase não são lembrados, então façamos justiça a alguns como o estadunidense D.W Griffith, "pai" das superproduções, o alemão Fritz Lang, o inglês Charles Chaplin e o maior de todos, Sergei Eisenstein.

Cinema e Ciência

Para entender o legado de Einsentein é preciso conhecer a sua formação. Graduado em matemática, engenharia e com atuação no teatro, promoveu a integração entre essas áreas do conhecimento e a estética própria do cinema, para sistematizar o processo de edição cinematográfica. Com isso Serguei  Einsentein conseguiu, mesmo sem a ajuda de diálogos falados(cinema não falado), manipular sentimentos e provocar reações no público através da edição por justaposição. Tento explicar, de uma forma até certo ponto "tosca", mas vamos imaginar a cena: 

Início da cena - Um carrinho de bebê desce sozinho e sem controle uma longa escadaria, Corte de edição para outra cena - Na mesma escadaria acontece uma luta entre dois grupos, Outro corte - A cena volta ao carrinho descendo a escadaria descontrolado, Outro corte: um homem avista o carrinho e se assusta com a situação de perigo, Outra corte: O carrinho continua descendo a escadaria descontrolado, Outro corte: o homem corre para tentar chegar até o carrinho e salvar o bebê...e assim por diante, até o desfecho da cena.

Hoje a edição por justaposição não impressiona, mas em 1925, (ano de produção de sua obra máxima, "O Encouraçado Potemkim") Einsentein precisou viabilizar uma tecnologia capaz de operacionalizar o inovador processo de edição, e isso de certa forma deve ter sido o mais fácil, se levarmos em conta a arquitetura filosófica do cineasta para conceber a teoria da chamada "montagem intelectual".

A edição criada por Einsenstein baseia-se na sua teoria do "cinema conceitual", que por sua vez é baseada na linguagem pictográfica. Diferentemente da linguagem fonográfica(as línguas ocidentais), a matriz pictográfica(línguas orientais) combina sinais(ideogramas) para produzir sentido.


                                                            Ideogramas são "frames"


A analogia (ou tensionamento) fica clara: Os "frames"(ideogramas) captados pela câmera são justapostos (combinados) de modo a produzirem um sentido (significado). No caso dos ideogramas a combinação de 2 ideogramas produz o significado "amizade", no cinema a dinâmica é a mesma, a combinação de várias cenas(frames), produzi um sentido e uma resposta emocional, como por exemplo: a montagem de uma cena, através da justaposição de vários frames, onde um homem corre para tentar salvar um bebê em um carrinho que desce uma escadaria descontrolado, provavelmente terá como resposta emocional de um expectador a tensão.

Para não tornar o artigo cansativo e demasiadamente longo, escrevo sobre "O Encouraçado Potemkim", considerado a obra máxima de Eiseinstein, no próximo post. Além de considerações sobre o filme, tentarei mostrar na prática o funcionamento da "montagem intelectual" criada por Sergei Eiseinstein através da clássica cena conhecida como "a escadaria de Odessa".

Até lá...

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